Sexo na literatura? Não pode!
É incrível como as autoridades no Brasil adoram preservar a moral e inocência dos jovens brasileiros. Vi no Livros e Afins a seguinte notícia: o Governo de Santa Catarina, após comprar 130 mil exemplares do livro Aventuras Provisórias, de Cristovão Tezza, voltou atrás e resolveu recolhê-lo das escolas. O motivo? Existem, no romance, algumas linhas - apenas - que descrevem uma cena de sexo. Isso, claro, foi o bastante para que o livro fosse retirado da frente dos jovens.
Cristovão Tezza - ganhador de vários prêmios ano passado, incluindo Portugal Telecom e Jabuti - respondeu à polêmica em sua coluna na Gazeta do Povo. Usou o título Não me adotem.
Engraçado que, em minha época de colégio, ninguém aparecia para reclamar do sexo em O Cortiço. Lembro, inclusive, de ter lido na 8ª série o romance Crônica de uma Namorada, de Zélia Gattai, no qual, segundo a própria orelha do livro, conta-se, a partir da mistura de personagens reais e fictícios, "fases do desabrochar sexual de uma menina".
Outro exemplo: quando fiz vestibular para a Universidade Federal da Bahia, dos dez livros indicados, quatro tinham claramente cenas de sexo ou incitações sexuais. Entre eles - e o que permaneceu mais tempo na lista - estava Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro, no qual há trechos de estupro e masturbação.




6 comentários:
Putz, Léo, tá difícil a coisa.
Não sei se você acompanhou o caso do livro de quadrinhos "Dez na àrea..." que envolveu a Secretaria de Educação do estado de SP, mas o fato é que se trata do mesmo tipo de moralização barata e "pedagógica" da educação, e que reflete extrema incompetência e despreparo dos servidores. Ou seja, qualquer pedagoga vai à caça de palavrões na biblioteca da escola e faz um fuzuê que aquilo é inapropriado! Pra que isso? Mostrar serviço? A FALTA DE educação não sai dessas leituras, minhas senhoras!
Valeu pelo post, garoto.
Concordo plenamente. Minha filha leu, na 7a série, Capitães de Areia, de Jorge Amado, um livro com trechos violentos, com coação, sexo precoce, abandono, entre tantos outras duras realidades a que muitas crianças estão expostas. Confesso que num primeiro momento fiquei apreensiva. Depois me dei conta que, ao invés de tapar o sol com a peneira, o melhor seria discutir sobre o que ela tinha entendido e o que tinha dúvidas, o que tinha gostado ou não, e aproveitar a ocasião para conversar sobre os valores da nossa família, enfim, prepará-la para a vida. É muito hipocrisia reclamar do livro que a escola escolheu e sentar junto com os filhos para assistir a novela 'das 8', com cenas muito mais picantes e explícitas, ou ainda deixar as crianças horas na internet sem supervisão . O que falta nesses pais é tempo e disposição para realmente educar os filhos.
Dany Tavares
mameeuquero.blogspot.com
Concordo com você, grande bobagem, porque os veículos de comunicação em que os jovens tem acesso ao sexo são diversos, não é uma simples cena de livro, que ira desvirtuar ou agredir os jovens. Me lembro muito bem do cortiço quando li na escola e eu só tinha 16 anos.
Oi, Leonardo!
A literatura, como todas as artes, serve de catarse! para lavar a alma...
Se seguirmos a lógica desse povo que faz listas de livros proibidos, ou inadequados a determinada idade, Chapeuzinho Vermelho - a de Perrault - nem pensar... Vai que dá uma brutal identificação com o lobo e devoramos alguém (e a vovó não sai da barriga!)... ou com Chapeuzinho - desafiamos os sistemas...
Há muito tempo trabalho, por exemplo, dois autores que amo: um, da terrinha de vocês - o Vampiro de Curitiba; outro, mineiro - Rubem Fonseca... uso as publicações mais recentes, bastante "cruas", às vezes brutais e com cenas de sexo!!! Até agora nenhum aluno saiu matando ninguém nem querendo se experimentar sexualmente por causa das leituras... ou se sentindo ofendido ou agredido... O que a gente faz é admirar as obras, refletir, conversar a partir do que os textos nos propõem... fazemos leituras partilhadas... muito interessantes... cheias de descobertas... de encantamento!!!
Sexo na literatura? Não pode! Só na televisão, em qualquer programa, em qualquer horário... Moralismo barato!
Abraços!!!
Talvez seja o motivo de vários estudiosos de outros paizes se interessarem tanto pelas obras do "Carlos Zéfiro" que nas horas vagas desenhava os famosos "Catecismos" que educaram sexualmente tantos jovens e adultos.
Oi, Leonardo!
Desde a semana passada rola a mesma cena de censura no RS... agora, são os obras de Will Eisner, distribuídas pelo governo federal.... pode??
Abraços!
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