Xerox, xerox e mais xerox
Quem participa do meio acadêmico sabe. São xerox e mais xerox para todos os lados. Mas é difícil dizer, na verdade, se isso seria positivo ou negativo.
Admito: detesto ler dessa forma. O papel não é bom, a impressão muito menos e aquele bolo de folhas empilhadas me irrita profundamente. Mas, mesmo assim, eu me rendo às xerox.
Uma das disciplinas que cursei possuía, em sua bibliografia básica, 25 itens de leitura. Cada um deles era um capítulo ou parte de algum livro. Imagina se, para poder ler tudo exigido de apenas uma matéria eu precisasse comprar 25 livros? Junte isso a mais quatro ou cinco disciplinas e teríamos mais de 100 livros para serem comprados. Mais conveniente, então, solicitar cópias de cada trecho.
Claro que, ao invés disso, todos poderiam alugar o livro na biblioteca. Dessa forma, não teríamos mais xerox! Funciona? Não.
Nunca há livros suficientes na biblioteca para todos os alunos. Isso é fato em qualquer curso, imagino. Além disso, livros alugados não podem ser riscados, evidentemente - pode ser algo pessoal, mas não consigo estudar se não usar marcadores e colocar comentários nos textos.
Por outro lado, se você está numa situação em que deve ler um livro completo, por que não comprá-lo? Não seria melhor, nesse caso, ter uma leitura mais agradável, mesmo que gastando um pouco mais?
Há exceções, é verdade. Há pouco tempo, por exemplo, precisei adquirir um livro. A professora disponibilizou o dela - que na verdade era uma cópia em xerox -, mas eu preferia comprar. Procurei em livrarias pela internet e não achei. Resolvi procurar em sebos. Pesquisei na Estante Virtual, "a maior rede de sebos do Brasil" e, ainda assim, não encontrei.
Resultado? Xerox.
(créditos da imagem: Amanda Woodward)




7 comentários:
Olá, Leonardo. Tudo bem? Sou a Cecília e trabalho na Edelman, agência de comunicação da Jorge Zahar Editor. Acabo de conhecer o seu blog. Interessante este post sobre o xerox nas universidades e o seu ponto de vista.
Espero poder passar por aqui mais vezes e trocar dicas de leitura com você. Um abraço.
Meu caro, não tem jeito. Principalmente, porque 80% do que os professores passam para a leitura não servirá de mais nada além de lhe aprovar na matéria.
Livro assim você só compra os que acrescentem material ao seus temas de interesse e/ou pesquisa. O resto? Tire xerox e depois doe para alguém menos afortunado. Sua consciência agradece e a natureza também
Cecília,
Espero também vê-la mais vezes por aqui. Sempre que precisar falar comigo, basta colocar um comentário ou, se preferir diretamente, utilizar o formulário de contato no menu "contato" acima.
Davi,
Sem dúvida. E olha que eu tenho uma certa compulsão por comprar livros, mas, ainda assim, só compro se o conteúdo na íntegra me interessar.
Abraços!
Eu não tenho problemas em ler um xerox... Até acho que alguns podem ser até melhores que os livros de verdade, um exemplo disso seria o "Passagens", do Walter Benjamin.
Eu costumo a fazer o seguinte, livros de literatura eu prefiro não comprar, já os teóricos eu espero o fim do semestre, vejo quais me interessaram mais, e compro - quando po$$ível.
Agora fiquei curioso, qual é o danado do livro que você não achou?
Bacana a ilustração da Amanda.
A xerox é uma questão complicada. Eu trabalho em universidade e sei de causos e mais causos: já teve policiais com mandado de busca e apreensão que deram uma batida em um quiosque de xerox: apreenderam os livros que estavam lá e levaram a dona do quiosque pra delegacia pra prestar depoimento. E disseram que, se na hora em que chegaram ela estivesse copiando livro, seria presa em flagrante. Alguns livros apreendidos eram da biblioteca e a bibliotecária-chefe teve que ir na delegacia buscá-los. A sanha das editoras em impedir a cópia de livros dá em coisas assim.
Algumas editoras de livros técnicos estão tentando alternativas à xerox, sabendo que muitos livros são usados só para estudar uma disciplina e apenas alguns capítulos: mediante assinatura, disponibilizam seus livros em bibliotecas digitais, onde você pode ler o livro todo na tela e imprimir trechos.
E ainda tem o problema dos livros esgotados. Vamos ver se o Google Books será solução para isso. Sugere a eles que digitalizem o livro que você não achou. Eu estou pra sugerir vários esgotados a eles.
Livreime,
Era "Marxismo e Literatura", de Raymond Williams.
Teresa,
Realmente existem algumas alternativas. As editoras deveriam investir mais nisso. Os leitores de e-books, por exemplo, deverão facilitar muito ainda a vida dos estudantes.
Abraços aos dois!
Concordo com tudo o que vc disse sobre as cópias de xerox. Fiquei pensando se uma solução não seria o e-book, mas então precisaríamos que os textos que nossos professores adotam também estejam disponíveis nesse formato. Enfim. Acho que assim como os livros, os serviços de copiadoras nas nossas faculdades terão vida longa, longa.
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