sábado, 31 de janeiro de 2009

Dica de leitura: Seda


Pense numa leitura simples, prazerosa, mas que ao mesmo tempo perturba por sua irreverência. Assim é Seda, romance do italiano Alessandro Baricco.

A história desliza pelos olhos do leitor assim como a leitura, desenvolvendo-se a partir da trajetória de Hervé Joncour, morador de uma pequena cidade francesa. Os únicos grandes acontecimentos que movimentam o locam referem-se, sempre, ao negócio da seda. E quando, por azar dos produtores, os ovos de bicho-da-seda são afetados por uma grande praga, o protagonista Joncour acaba sendo designado a comprá-los no Japão. Assim, nas viagens às terras desconhecidas misturam-se curiosidades, novidades, paixões.

O lirismo, talvez, forma-se justo pelo transcorrer irreverente da narrativa. Ampliam-se momentos de tempo curto, enquanto passagens temporais longas podem ser resumidas em, até, um único parágrafo de um capítulo. Sim, alguns dos capítulos não atravessam mais do que uma página, e, quando o fazem, duas já se mostram suficientes. Certas inovações estéticas não vêm apenas com a brevidade dos relatos, mas com uma construção de escrita simples e elegante. Grandes explicações, às vezes, são sintetizadas em apenas uma frase de três palavras. Direto, rápido e - o que é mais impressionante - poético.

Um romance agradável, singelo, rico e, principalmente, leve como seda.


Eis o primeiro capítulo:

Embora o pai tivesse imaginado para ele um brilhante futuro no exército, Hervé Joncour acabou por ganhar a vida com um ofício insólito, ao qual não era estranha, por singular ironia, uma característica doce a ponto de trair vaga entonação feminina.
Para viver, Hervé Joncour comprava e vendia bichos-da-seda.
Era o ano de 1861. Flaubert escrevia Salammbô, a iluminação elétrica ainda era hipótese, e Abraham Lincoln, do outro lado do oceano, combatia uma guerra cujo fim nunca veria.
Hervé Joncour tinha trinta e dois anos.
Comprava e vendia.
Bichos-da-seda.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O Acordo Ortográfico deverá ser aplicado em Portugal em 2010

O ministro da cultura de Portugal diz pretender colocar em vigor o Acordo Ortográfico "o mais tardar em 1 de Janeiro de 2010", sendo aplicado "a nível oficial e em todos os meios de comunicação social".

Com a unificação, pretende-se, segundo o ministro, elevar o português a "língua de trabalho em todas as organizações internacionais". Cita, ainda, a importância de projetos como o Instituto Camões, que será reformulado para ampliar a expansão da língua. A digitalização de conteúdos, portanto, mostra-se de grande importância. Ele considera como "valor essencial, é fundamental para a defesa da língua que tudo esteja na Internet: a ciência que existe em português, as técnicas, a literatura, os acervos, etc", já que "se não estiver na Internet não terá possibilidade de se afirmar".

Destaca, também, a importância da colaboração com o Brasil: "Não faz sentido estarmos a digitalizar obras que já estão
digitalizadas em sites brasileiros, porque temos de evitar redundâncias". Além disso, admite a importância do Brasil: "Somos dez milhões neste rectângulo; seremos mais cinco milhões
dispersos pelo mundo. Em 1960, havia 70 milhões de brasileiros e em 2008 há 190 milhões, isto é, o Brasil gerou mais falantes de português nos últimos 48 anos, do que nós gerámos em 900".

De fato, um dos grandes méritos do Acordo é justamente trazer uma maior unificação dos acervos digitais em língua portuguesa. Quem sabe, no futuro, surja um projeto ao nível do Europeana para agregar produções culturais de todos os países que falam o português.

Leia mais no Sapo.pt notícias. Via Ler.

Novo domínio para o Vísceras Literárias

O Vísceras Literárias agora tem um novo domínio: www.viscerasliterarias.com

Portanto, quem usar o antigo endereço será automaticamente direcionado para o novo.

A Internet estaria diminuindo a importância da leitura?

"Desde que os homens vem desenvolvendo novas tecnologias, nós estivemos preocupados de que nossa invenções colocariam nossos cérebros em decadência".

Esta é a primeira frase de um artido de Naomi Alderman, para o Guardian. E continua: "Até o desenvolvimento da escrita já foi visto como uma ameaça para as habilidades de memorização". Ela, portanto, indica que, assim como a cultura oral já esteve em decadência um dia, é a vez da escrita passar a ter menos relevância. Para exemplificar, fala primeiro da televisão. Acaba mostrando sua importância, como um meio de proporciona "experiências culturais enriquecedoras" mas que, por outro lado, traz uma perda grande para a leitura.

Logo em seguida, é a vez da Internet. Segundo Naomi, apesar deste meio demandar o uso da leitura, ler na tela do computador é diferente de ler um livro. A Internet estaria quebrando o estilo de leitura linear e concentrada, própria dos livros. Ou seja, as pessoas estariam lendo menos e pior.

Ela conclui desta forma: "Os gregos podem ter substituído sua tradição oral com Platão e Aristóteles, mas (...) eu não sinto que substituir a cultura da leitura por Guitar Hero seja uma troca justa."

(clique aqui para ver o texto completo no Guardian.co.uk) / Via Blogtailors.

Sim, pode-se dividir a história em períodos culurais. Teríamos, então, uma ordem cronológica deste tipo: cultura oral -> cultura escrita -> cultura impressa -> cultura de massa -> cultura das mídias -> cibercultura -> cultura da mobilidade.

Mas pensemos: seria possível a cultura escrita manter-se viva sem a oral? Ou a impressa sem a escrita? Podemos, afinal, entender tais culturas como inseparáveis, coexistindo, e não uma reduzindo a outra. Portanto, há uma forma diferente de se ler na Internet? Provavelmente sim! E essa forma de leitura destruiria o jeito como lemos um romance num livro? De forma alguma!

Eis o que diz Lúcia Santaella, pesquisadora brasileira da área de comunicação: "... quando surge uma formação cultural nova ela não leva a anterior ao desaparecimento. Pelo contrário, elas se mesclam, interpenetram-se. (...) Assim, todas as formas de cultura, desde a cultura oral até a cibercultura hoje coexistem, convivem e sincronizam-se na constituição de uma trama cultural hipercomplexa e híbrida."*


*Retirado de Linguagens Líquidas na Era da Mobilidade.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Nova versão do Kindle deverá ser lançada em fevereiro

A Amazon, empresa responsável pelo leitor de e-books Kindle, anunciou uma conferência de imprensa para 9 de fevereiro. Por isso, especula-se que será este o dia do lançamento da versão 2.0 do reader.
Esperam-se melhorias relativas aos controles e ao visual, tornando-o mais atrativo esteticamente. O tamanho deverá ser o mesmo ou bem similar.

Abaixo, uma foto divulgada alguns meses atrás, comparando o Kindle antigo com um possível protótipo da nova versão.


Mais informações em Soybits e Guardian.

Benjamin Button agora também em quadrinhos

A versão cinematográfica do conto de Fitzgerald, O Curioso Caso de Benjamin Button, aparentemente impulsionou outros tipos de publicações relacionadas. É a vez, portanto, da história de Benjamin ser contada através dos quadrinhos.
Os desenhos são feitos por Jevin Cornell e o roteiro por Nunzio De Filipis e Christina Weir. O que eles propõem - e ao menos as primeiras páginas do livro indicam isso - é trazer uma versão mais fiel ao conto.

Clique aqui para baixar em pdf o primeiro capítulo do livro.


Via Blog da Cultura.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Juntando livros e formando ícones



Uma maneira de transformar sua estante numa paisagem de pixels. Bem criativo, claro. Mas e para achar aquele título específico? "Ah, eu acho que tá ali formando o ícone da casinha" Ia dar um pouquinho de trabalho...

Via Bibliotecários sem fronteiras.

Morte de John Updike

O escritor americano John Updike, com dois Pulitzer na carreira, morreu hoje, terça feira, aos 76 anos. É uma perda lastimável, sem dúvida.

Reações na mídia online: Estadão, The New York Times, Bibliobs, The Guardian, Le Monde, El País.

Clique aqui para ler um trecho do romance "Terrorista", de Updike, lançado no Brasil em 2007.

John Updlike em 2004. Foto: Eamonn McCabe/Guardian


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Final feliz: artificialidade, clichê?

O final feliz beira à artificialidade? É algo que funciona apenas para agradar um segmento do público, numa estratégia meramente comercial?
Deparei-me com esse tema ao ler "Esse Ofício do Verso"*, uma coletânea de palestras proferidas em inglês pelo escritor argentino Jorge Luis Borges. Na número três, de título "O narrar uma história", Borges analisa um pouco o romance épico, e, a partir disso, levanta esta questão:

"(...) o que pensamos da felicidade? O que pensamos da derrota e da vitória? Quando se fala hoje em dia num final feliz, as pessoas consideram-no uma simples concessão ao público ou uma estratégia comercial; consideram-no artificial. Mas por séculos os homens puderam acreditar sinceramente na felicidade e na vitória, embora percebessem a dignidade intrínseca da derrota. Por exemplo, quando se escrevia sobre o Velocino de Ouro (uma das velhas histórias da humanidade), leitores e ouvintes sabiam desde o início que o tesouro seria encontrado no final.
Bem, hoje em dia, se alguém empreende uma aventura, sabemos que terminará em fracasso. (...) Quando lemos O castelo de Franz Kafka, sabemos que o homem jamais ingressará no castelo. Ou seja, não podemos realmente acreditar em felicidade ou sucesso. E isso talvez seja uma das pobrezas de nosso tempo."

Pude parar e perceber o quanto se costuma desvalorizar o final feliz, nomeando-o de artificial, inverossímil, clichê. No entanto, não é tão difícil entender que o desfecho triste pode ser tão clichê quanto o feliz. Borges, claro, trouxe um certo saudosismo em relação à história épica, de heróis e finais felizes. Logo em seguida ele fala da dificuldade de um autor de ter a intenção de escrever um final triunfante e, na verdade, pela própria exigência da história, manter um desfecho triste. O contrário, penso eu, seria igualmente difícil. É como imaginar um romance de mistério não desvendando o criminoso no final ou um conto de fadas terminando em morte.
Lembro-me, inclusive, que um professor e roteirista certa vez me disse algo do tipo: se um final clichê é o melhor que você tem, então use-o. Seja ele feliz ou triste.


* "Esse Ofício do Verso" é publicado no Brasil pela Companhia das Letras, tratando-se de um conjunto de palestras, antes perdidas, proferidas em inglês por Jorge Luis Borges em 1967-68 na Universidade de Harvard. O mais incrível dessa coletânea, além da maestria com que Borges as profere, é a memória absolutamente incrível do escritor, sendo capaz de citar trechos de diversas obras da literatura mundial. Ele, ná época, já estava quase completamente cego, e, por isso, não conferia nenhuma anotação.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Lançamento: Pornografia


A Companhia das Letras neste mês lança Pornografia, romance publicado originalmente em 1960 e escrito pelo polonês Witold Gombrowicz. Segundo a própria editora, trata-se de um dos mais desafiadores e divertidos romances do escritor.

Neste livro, dois amigos boêmios e solteiros, Witold - sim, é o próprio Gombrowicz se fazendo de personagem-narrador - e Fryderyk, vão para o campo, numa propriedade rural na Polônia ocupada pelos nazistas em 1943. Os quarentões, durante o passeio, defrontam-se com um casal de adolescentes, criando uma certa expectativa erótica em relação à eles.

Sobem as vendas de ebooks

É algo de se esperar, claro. Mas é interessante perceber a rapidez com que os ebooks progridem em número de vendas no mercado.
O International Digital Publishing Forum liberou dados referentes a novembro de 2008, indicando que as vendas de livros eletrônicos nesse mês aumentaram 108% em comparação ao correspondente período do ano anterior.

Tudo indica, mais uma vez, que 2009 será o ano do ebook.


Via Soybits.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Crianças lêem cada vez menos por prazer

Jovens e crianças, de acordo com um estudo realizado na Grã-Bretanha, estão lendo menos; e, quando lêem, não é por prazer. Tal situação, inclusive, restringe as habilidades de escrita, apesar de estar desenvolvendo bem a forma de escrever e ler a partir de novas tecnologias.
Em 2006, 86% das crianças liam livros em seu tempo livre; já em 2007, foram 80%; em 2008, a percentagem reduziu para 75%. (Via Blogtailors e The BookSeller)

Pensa-se: é necessário desenvolver habilidades de leitura e escrita em ambientes tecnológicos, e isso, claro, as crianças fazem muito bem. Mas é muito importante também mostrar-se competente para escrever e ler em qualquer situação, sabendo usar o tipo de linguagem certa em seu devido monitoramento. Por isso, é tão essencial compreender as novas tecnologias como ler um romance cássico ou analisar conceitos de filosofia, escrever uma carta formal ou um pequeno texto em prosa, mandar mensagens curtas e sintéticas por celular ou saber conduzir uma dissertação. Tudo isso, sem dúvida, é o que fará da criança um futuro adulto preparado para a comunicação contemporânea.

Mais um dado preocupante (em relação aos adultos), já publicado aqui no Vísceras: no Brasil, crianças e jovens lêem mais que adultos.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Machado de Assis online

Links interessantes relacionados a Machado de Assis:

www.machadodeassis.unesp.br - Site que disponibiliza conteúdos do Simpósio Internacional Caminhos Cruzados: Machado de Assis pela Crítica Mundial. Foi um evento realizado em agosto de 2008, em meio às comemorações do centenário de morte do autor. (Via Bravo!)

Segundo número de Machado de Assis em linha, revista eletrônica de estudos machadianos. É uma publicação semestral criada por membros do Grupo de Pesquisa/CNPq Relações Intertextuais na obra de Machado de Assis. (Via Minc)

www.machadodeassis.org.br
- Site criado pela Academia Brasileira de Letras em homenagem ao escritor. O interessante é acessar informações sobre adaptações de suas obras e conferir os diversos textos acadêmicos relacionados a Machado de Assis. Também, claro, pode-se ter acesso à sua biografia e bibliografia.

Já se você estiver interessado em ler as obras do autor brasileiro, é possível baixar todas neste link, em pdf ou html. Foram divididas em categorias: Romance, Conto, Poesia, Crônica, Teatro, Crítica, Tradução e Miscelânea.


António Lobo Antunes virá, pela primeira vez, ao Brasil


O escritor português teve participação confirmada na 13ª Jornada de Literatura, evento que ocorrerá em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, entre os dias de 24 e 28 de agosto. Ele terá a companhia de outra figura ilustre: o filósofo francês Pierre Lévy, com presença também já confirmada.
Lobo Antunes, neto de brasileiros, ganhou o Prêmio Camões de 2007 e é atualmente um dos principais autores em língua portuguesa.

Via Estadão. (Foto: Héctor Guerrero/Reuters)

Escritor ficará preso por 3 anos por ter insultado monarquia tailandesa


Harry Nicolaides, escritor australiano, que havia sido detido dia 31 de agosto, em Banguecoque, recebeu a condenação de três anos de prisão. Acusavam-no de ter insultado a família real tailandesa em um de seus livros, publicado em 2005.
Durante o julgamento, o réu, com uniforme laranja de penitenciária e corrente nos pés, admitiu a culpa para ter a pena reduzida de 6 para 3 anos. Ele já havia, em outros momentos, enviado pedidos de desculpas às autoridades, sem sucesso.

Informações retiradas do Público. Via Blogtailors. (Foto: Sukree Sukplang/Reuters)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Felipe Massa em campanha para promover a leitura


Pode soar um pouco estranho, mas a Unicef lançou uma campanha publicitária misturando Fórmula 1 com livros. Felipe Massa, que desde 2007 é "campeão do Unicef", servindo de personagem para promover campanhas da entidade, agora aparece em defesa do hábito de leitura das crianças.
O carro de corrida se transforma em livros e, logo acima, uma frase de efeito: " O capacete protege o que os pilotos têm de mais importante: tudo que já aprenderam."

Via Bibliofototeca.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Mapa de tendências do setor editorial 2008/2009

(clique na imagem para ampliar)

Em razão de curiosidade (ou tristeza): Paulo Coelho aparece no mapa.

Via Livros & Tecnología.

BR Office adaptado ao Acordo Ortográfico e Microsoft ainda calada

Enquanto o verificador ortográfico Vero, que faz parte do conjunto de aplicativos de software livre BR Office, já se adaptou às novas regras ortográficas, a Microsoft continua sem determinar quando atualizará seus programas. Assim como a gigante Google, a empresa que produz o Windows não deu nenhum prazo para as mudanças, restringindo-se apenas a dizer que cumprirão com o prazo estipulado pelo governo. (via G1 e Blogtailors)

Clique aqui para baixar o Vero.


Arte com livros

Se literatura é arte, livros de papel também podem ser:




Mais imagens aqui. (link visto em Bibliofototeca)

O Curioso Caso de Benjamin Button - filme e conto

Este é um filme que atrai, principalmente, pela originalidade. A história de um homem que, ao invés de envelhecer, rejuvenesce, é muito intrigante. Aliás, bastante curiosa.
E tal curiosidade - ao menos para mim - não parou na tela do cinema. Ao sair da sessão, pensei logo em procurar o conto de F. Scott Fitzgerald, no qual se baseou o filme.

Leia aqui o conto "The Curious Case of Benjamin Button".

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Bibliotecas em época de crise


Tradução: "As bibliotecas te ajudam a passar as épocas sem dinheiro melhor que o dinheiro te ajuda a passar as épocas sem bibliotecas".
Trata-se de um cartaz fixado na Biblioteca Pública de Whitefish, em Montana, nos EUA.

Via Estante de Livros. Foto retirada do Flickr.

Congresso dos EUA pode, indiretamente, proibir crianças em bibliotecas

O CPSC (U.S. Consumer Product Safety Commission), semelhante ao nosso Órgão de Defesa do Consumidor, fez com que o Congresso dos Estados Unidos aprove uma lei que, indiretamente, pode proibir a entrada de crianças em bibliotecas.
Trata-se da proibição de chumbo em produtos destinados a crianças menores de 12 anos, devendo entrar em vigor a partir do dia 10 de fevereiro. Tais itens infantis, portanto, devem ser testados em relação à presença de jumbo. E isso inclui os livros. Ou seja, as bibliotecas tem a opção de testar todas as obras infanto-juvenis ou proibir a entrada de crianças.

Veja mais informações na matéria do The Boston Phoenix. (Via BiblioFilmes Festival)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

20 razões para 2009 ser o ano do Ebook

O Gutenberg.com prevê o ano de 2009 como sendo de alto potencial para os livros eletrônicos. Como justificativa, fez uma lista de 20 razões para este ano ser especial para a expansão do modelo eletrônico de leitura:

1. Novos e mais interessantes suportes;
2. Existe massa crítica de leitores;
3. Haverá muitas mais experiências positivas com o ebook;
4. O conforto irá prevalecer;
5. O que queres, quando queres;
6. Um filme ou mil ebooks?
7. Vai começar a compensar em retorno do investimento;
8. Um milhão de livros na ponta dos dedos;
9. O livro passará a ser só mais um formato, como os CDs, DVDs, etc.;
10. Energia, as novas baterias irão durar semanas até necessitarem de recarregar;
11. Todos os agentes passarão a beneficiar;
12. Não é necessário perder tempo a ir às livrarias procurar livros;
13. Uma tecnologia muito mais verde;
14. A crise irá forçar uma diversificação;
15. Se experimentarem uma vez ficam viciados;
16. Os novos suportes irão disponibilizar e promover com bastante força (Nintendo, etc.);
17. Não há grandes problemas com os copyrights;
18. O grande número de ebooks gratuitos;
19. Surgirá uma nova geração de editores de ebooks;
20. O que importa é o conteúdo, e este suporte disponibiliza de uma forma bem mais vantajosa o conteúdo.

O que mais me chama atenção é o item 20. De fato, o que interessa nos livros eletrônicos é o conteúdo, a obra que se está lendo, o texto em si. Já o livro como conhecemos hoje envolve alguns outros aspectos, como a qualidade da edição, o tipo de letra, de capa, etc. Admito que compro livros nem sempre apenas pelo conteúdo; olho também, muitas vezes, se a publicação me agrada ou não - em questão estética mesmo. Bem, os ebooks provavelmente não estão ligamos a tais detalhes, o que, por outro lado, pode ser muito bom, já que privilegia o conteúdo.

(Tradução da lista pelo Blogtailors)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Dica de leitura: Padre Sérgio


Sobre a obra

Quem conhece Liev Tolstói apenas pelos grandes romances - e digo grande nos dois sentidos mesmo -, como Guerra e Paz ou Anna Kariênina, surpreende-se ao se deparar com algumas curtas obras; mas, sem dúvida, a qualidade literária continua surpreendente. É o caso de "Padre Sérgio".
Trata-se de uma novela, dentro da qual Tolstói consegue envolver todo seu conflito religioso e, claro, suas desilusões com a Igreja. É uma história de dilemas, tais quais, ou parecidos, aos do autor em seu fim de vida. Algo como uma crise moral e religiosa, talvez.
E todos esse conflitos aparecem em meio à história de Stiepán Kassátski, príncipe e militar que, após romper o noivado, decide virar padre, tornando-se o Padre Sérgio. Um personagem movido sempre pela determinação do perfeccionismo, fixando um objetivo para alcançá-lo a qualquer custo. No entanto, ao transpor um obstáculo, há sempre um outro surgindo à frente. Por isso, ao entrar no meio eclesiástico, não busca apenas uma subida hierárquica na Igreja, mas sim a santificação, como a mais alta forma de superioridade religiosa. É esse, portanto, o momento crítico de conflito, quando a personagem fixa-se em manter-se como um santo, ao mesmo tempo em que sofre pelos pecados que não podem ser cometidos. E tentações aparecerão, claro.

Sobre a edição

"Padre Sérgio" é editado no Brasil pela Cosac Naify, com tradução de Beatriz Morabito e desenhos de Kazimir Maliêvitch.
Antes da novela, encontramos o prefácio por Samuel Titan Jr. É importante sua leitura, mas recomendo que seja apenas ao término do livro, já que ele traz uma breve análise da obra. Mas nada que conte explicitamente sobre o enredo e estrague a leitura - como já aconteceu comigo algumas vezes em outros livros.
Por fazer parte da "Coleção Prosa do Mundo", o livro apresenta o mesmo estilo gráfico das outras publicações da coleção. Sobrecapa retirável com título, autor e gravura na frente; ao fundo, um trecho da obra. A capa em si é bastante clássica; tom de cinza com as iniciais "LT" na frente e, na lateral, o sobrenome do autor, o título e a editora.
Admito que o preço um tanto excessivo (R$ 49), apesar da edição de boa qualidade. Ele acaba por desanimar a compra, ainda mais observando a pequena quantidade de páginas. Eu tive a sorte, no entanto, de comprá-lo quando a loja online da Cosac Naify estava com 50% de desconto em todos os livros. Infelizmente, foi uma promoção de apenas um dia.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Fã de "O Iluminado" lança livro de Jack Torrance

Jack Torrance, personagem do livro "O Iluminado", de Stephen King, posteriormente representado por Jack Nicholson em filme de Stanley Kubrick, passava o tempo num hotel escrevendo um romance. Na verdade, as páginas já escritas não continham nenhuma história, mas apenas a frase "All work and no play makes Jack a dull boy", repetida várias vezes e de inúmeras formas diferentes (para relembrar, veja a cena em que a mulher de Jack descobre as páginas escritas).
Baseando-se nesse romance inexistente, um fã de Stanley Kubrick e Stephen King, Phil Buehler, resolveu publicar o livro dando créditos a Jack Torrance. São 80 páginas com a mesma frase escrita de maneiras diferentes, mantendo-se fiel à capacidade de uma máquina de escrever.

É possível comprar o livro no Blurb.com. Ou, ainda, ver um preview.

Mais informações no blog de Pierre Assouline (em francês) e no The Guardian.

História de amor no Holocausto será publicada

Herman e Roma Rosenblat. Fotografia: J. Pat Carter/AP

Aquelas falsas memórias - que chegaram até a comover Oprah - serão renomeadas como ficção e, provavelmente, publicadas. A Penguin havia anteriormente cancelado sua publicação, mas a história de amor durante o Holacausto permanecerá viva.
Um filme já estava em pré-produção antes de se iniciarem as discussões em torno da veracidade da obra. Por isso, foi decidido continuá-la, começando este ano. A Publish York House entrou em acordo com a companhia que está produzindo o filme para ter autorização de publicar um romance baseado em seu roteiro. O autor das tais falsas memórias, Herman Rosenblat, porém, não está relacionado a esta versão. Mas, claro, receberá pelos direitos da história após o lançamento do filme.

Via The Guardian.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Máquina para vender livros


Comprar livros da mesma forma que se pode comprar Coca-Cola. Interessante, não?
Trata-se de uma invenção de Fabio Bueno Netto e está presente nos metrôs de São Paulo e Rio de Janeiro, vendendo entre 12 e 15 mil obras por mês.

Via Folhas Perfeitas. Visto em Livros e Afins.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

"A volta ao mundo em 80 dias" dá, literalmente, a volta ao mundo em 80 dias

2008 foi o ano em que Júlio Verne, autor de "A volta ao mundo em 80 dias", completaria 180 anos. Por isso, como forma de comemoração, um fã português do escritor, Frederico Jácome, a partir da intertnet conseguiu ajuda de outros fãs e iniciou a jornada de 80 dias de um exemplar do livro de Verne.
A idéia é a seguinte: a pessoa que estiver participando recebe o livro, vai em locais conhecidos e importantes de sua cidade para tirar foto com ele, depois o envia de volta e publica no blog JVerne Pt. "Foi fundamental, se não estivéssemos ligados em rede não seria possível fazer isto. Foi através de fóruns que arranjámos os contactos por todo o mundo, fomos combinando também através de e-mails, o blogue relata tudo e o Google Earth torna visível o trajecto do livro", é o que diz Frederico Jácome.
A obra já passou por Manchester e Liverpool, na Inglaterra, Le Havre, na França, Moerbeke-Waas e Gent, na Bélgica, Zeist, na Holanda, Tarnów, na Polónia, Haifa, em Israel, Nova Deli, na Índia, Macau, na China, Yokohama, no Japão, San Diego e Chicago, nos EUA. E, em poucos dias, passará aqui pelo Brasil, no Rio de Janeiro.

Via IOL. Visto em Blogtailors. Abaixo, fotos retiradas do blog de homenagem a Júlio Verne.




terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Dica de leitura: Ciências Morais


Sobre a história

Ano de 1982. A Ditadura Militar na Argentina completava seis anos. É esse o contexto externo do tradicional - ou, melhor, tradicionalíssimo - Colégio Nacional de Buenos Aires na época em que María Teresa empenha-se em conferir, por exemplo, se todos os alunos estão usando meias azuis de náilon, ou, ainda, se um garoto está tomando a devida distância de uma garota.
Como inspetora da oitava série 10, a personagem do romance "Ciências Morais", de Martín Kohan, deve estar sempre atenta a qualquer violação dos regulamentos. Nova, de apenas vinte anos, ela mistura sua obrigação de fiscalizar e relatar com estranhas sensações de suspeita e de prazer.
O pesado clima de rigor militar reflete no tratamento dado aos alunos, colocando-os atados ao patriotismo doentio, à moral conservadora e à história dos heróis. María Teresa, mesmo sem ter absoluta consciência disso, é uma das responsáveis por manter os meninos e meninas do prestigiado Colégio Nacional em sintonia com tais preceitos.
Como inspetora, analisa e investiga qualquer possível má conduta de um aluno, sendo real ou imaginada, de forma a mostrar bom trabalho ao senhor Biasutto: uma figura imponente, ao mesmo tempo acolhedor e distante; o chefe dos inspetores.
María Teresa, enfim, pode simbolizar aquela Argentina em conflito. Conflito físico, real, da Guerra da Malvinas, mas também um conflito do inconsciente. Uma mistura de moral com imoral, proibição com prazer, controle com perversão.

Sobre a edição

Ciências Morais, no Brasil, é editado pela Companhia das Letras.
Não conheço o escrito original, mas a tradução de Eduardo Brandão parece ser de qualidade. E, como a maioria das publicações da Companhia das Letras, não encontrei nenhum tipo de falha, seja de revisão ou digitação.
A capa é brilhantemente produzida por Flávia Castanheira, na qual observam-se desenhos seguidos que orientam como dar um nó numa gravata. Logo abaixo, o título do livro escrito por cima de um adesivo (sim, é de fato um adesivo, e não uma ilustração), daqueles mesmos muito usados para etiquetar livros didáticos. Compondo o fundo da capa, claro, um azul pleno, como a cor da farda dos estudantes do Colégio Nacional de Buenos Aires.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Cidade do Porto sendo invadida por fotos de Clarice Lispector





































Em plena cidade do Porto, em Portugal, estão sendo espalhadas fotocópias de Clarice Lispector. Pessoas se deixam fotografar com o retrato da escritora brasileira em mãos.
Essa é uma idéia de Patrícia Lino, aluna da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que divulga a obra de Clarice a partir do "Projecto Clarice".

Via Ciberescritas, Bibliotecário de Babel e Livros e Afins.


domingo, 4 de janeiro de 2009

Uma Torre de David de livros


Uma curiosa fotografia da Torre de David, na Cidade Velha de Jerusalém, a partir de uma projeção de imagens de livros.

Via Bibliofototeca.

sábado, 3 de janeiro de 2009

1200 documentos online pelo Instituto Camões

O Instituto Camões passará a disponibilizar na Biblioteca Digital Camões, a partir de 8 de janeiro, ao menos 1200 documentos relacionados à cultura portuguesa.
Antes um pouco restrita, a biblioteca virtual será local para o acesso a diversas obras lusitanas, dentre ensaios, poesia, literatura e estudos científicos. Evidentemente, ficarão disponíveis textos de escritores portugueses falecidos a mais de 70 anos (requisito para a obra passar a ser de domínio público).
Tal iniciativa, sem dúvida, ajudará nos estudos da língua portuguesa, facilitando a vida inclusive de estudantes brasileiros.

Clique no link abaixo para acessar a Biblioteca Digital Camões:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/conhecer/biblioteca-digital-camoes.html


Via Ciberescritas.

Vísceras Literárias - Literatura para o bom leitor

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