sábado, 28 de fevereiro de 2009

Meu primeiro livro com a Nova Ortografia

Logo no início do ano, foi fácil perceber que a maioria das publicações jornalísticas no Brasil, incluindo tanto os meios online quanto impressos, aderiram à Nova Ortografia. Era algo, sem dúvida, de se esperar, observando-se a necessidade de popularizar a nova forma de escrita.

Apesar do esforço da publicação semanal que leio assiduamente (quem viu Meus Hábitos de Leitor sabe qual é), a Reforma Ortográfica ainda não era uma realidade absoluta para mim. Precisei de algo mais para, digamos, acordar e perceber a realidade da aposentadoria do trema.

Há algumas semanas atrás, fiz um pedido de livros pela internet. Um deles era "Magia e Técnica, Arte e Política - Obras Escolhidas - Vol.1", de Walter Benjamin, publicado pela Editora Brasiliense. Foi o primeiro, inclusive, escolhido por mim para ser folheado. O susto veio quando li o título do primeiro capítulo:

"O surrealismo - O último instantâneo da inteligência europeia"

Quando vi o europeia, sem acento, parei. Respirei fundo. Li novamente. Calma. Respirei fundo novamente.

Percebi que tinha acabado de adquirir meu primeiro livro adaptado à Nova Ortografia.

Principais viagens de livros clássicos

Você já viajou - mentalmente - no "Volta ao mundo em 80 dias"? Ou, ainda, coloca-se no lugar de Ismael de "Moby Dick"?

O site da revista estadunidense Good pode ajudá-lo a criar uma melhor imagem dessas grandes viagens. Como? Reproduzindo, a partir de um gráfico interativo, as viagens famosas de exploradores e escritores que viraram clássicos da literatura.


Via Blog da Estante Virtual.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Livro é censurado em Portugal

A polícia de Braga apreendeu, durante uma feira de livros, exemplares do romance "Pornocracia", de Catherine Breillat. A justificativa para o ato foi a de que a reprodução, nas capas de cada livro, de um quadro de Gustave Courbet mostra-se pornográfica.

A pintura de 1866, intitulada "A Origem do Mundo", é uma das principais obras do pintor realista. Enquanto a polícia portuguesa a trata como "perigo de alteração da ordem pública", o nu de Courbet pode ser visto no Museu D'Orsay, em Paris.

Um ato semelhante de censura aconteceu há alguns anos com "A Casa dos Budas Ditosos", de João Ubaldo Ribeiro. O livro, que relata aventuras sexuais de uma mulher, foi retirado de duas redes de supermercados portuguesas.

Mais informações: Público, Jornal de Notícias, Ípsilon.
Comentários: Da Literatura (João Paulo Sousa e Eduardo Pitta)


(A imagem utilizada no início do post é um desenho de Pedro Vieira, ironizando o episódio)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Novas Visões

A partir deste mês, a convite de Fernando Torres, contribuirei com o site Novas Visões. Enviarei um conto cada dia 21, integrando um grupo de diversos escritores e artistas gráficos.

Leia meu primeiro conto para o Novas Visões.

Dica de leitura: Macho não ganha flor

A "orelha" do livro diz o seguinte:

"Buscando se livrar da pecha de repetitivo, o contista agregou ao seu conhecido circo de horrores uma nova galeria de monstros morais."
(...)
"Os seus personagens são primos tortos da barata de Kafka e do rinoceronte de Ionesco. Ou gêmeos xifópagos espirituais dos três irmãos Karamazov."
Sim, trata-se de uma coletânea de contos do "Vampiro de Curitiba", o enigmático Dalton Trevisan.

O título dá nome ao primeiro conto (ou seria o contrário?). Nele, já nos deparamos com um dos seus, como transcrito acima, monstros morais. A pequena história é envolvente, tensa, forte, contada de forma, até, seca e direta. Um pequeno trecho:
Pronto! Aquela mão suada me tapou a boca. E a outra afogava o pescoço.
- Não grite! Nem um pio. Que eu te mato!
Me empurrou contra a parede. Abriu com violência o roupão.
- Oba!
Ai de mim, apenas calcinha e sutiã. Dai ele começou a fazer coisas.
São mais 22 contos, tão tensos como o primeiro, trazendo as angústias de alguns personagens e o sadismo de outros.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

100 melhores primeiras frases de romances

O American Book Review criou uma lista em que classifica, segundo seus próprios critérios, as cem melhores primeiras frases de romances. Claro, é mais uma daquelas relações com predomínio de obras em inglês. Porém, não deixa de evidenciar alguns outros autores reconhecidos, como Gabriel García Marquez, com o bem colocato 4º lugar; Tolstói, em Anna Kariênina; Kafka; Albert Camus; Dostoiévski; Proust e alguns outros escritores com publicações originais em outras línguas.

Veja as dez primeiras posições: (tradução e direcionamento de links por BiblioFilmes Festival)

1. Chamai-me Ismael. — Herman Melville, Moby Dick (1851)
2. É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa” —Jane Austen, Orgulho e Preconceito (1813)
3. Um grito atravessa o céu. —Thomas Pynchon, O Arco-Íris da Gravidade (1973)
4. Muitos anos depois, em frente ao pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o seu pai o levou a conhecer o gelo. —Gabriel García Márquez, Cem Anos de Solidão (1967)
5. Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. —Vladimir Nabokov, Lolita (1955)
6. Todas as famílias felizes se assemelham; mas cada família infeliz é infeliz a seu modo. —Leo Tolstoy, Anna Karenina
7. Rio que corre após Eva e Adão, do súbito desvio da costa até a curva da baía, nos conduz a um círculo vicioso de recirculação que retorna ao Castelo de Howth e Proximidades. —James Joyce, Finnegans Wake (1939)
8. Era um dia frio e ensolarado de Abril, e os relógios batiam as treze horas. —George Orwell, 1984 (1949)
9. Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos, foi a idade da sabedoria, foi a idade da imbecilidade, foi a época de acreditar, foi a época da descrença, foi a época da Luz, foi a época da Escuridão. —Charles Dickens, A História de Duas Cidades (1859)
10. Sou um homem invisível. —Ralph Ellison, O Homem Invisível (1952)


Lanço um desafio aos leitores:

Já que a lista acima não possui nenhum autor de língua portuguesa, faça sua própria relação de "melhores primeiras frases de romances escritos em português". Não precisam ser dez, mas ao menos uma que tenha lhe agradado bastante já é válido.


Abaixo, algumas de minhas primeiras frases preferidas:

* "Contudo, nunca foi bem estabelecida a primeira encarnação do Alferes José Francisco Brandão Galvão, agora em pé na brisa da Ponta das Baleias, poucos antes de receber contra o peito e a cabeça as bolinhas de pedra ou ferro disparadas pelas bombardetas portuguesas, que daqui a pouco chegarão com o mar." - João Ubaldo Ribeiro, Viva o Povo Brasileiro

* "Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte." - Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas

* "No dia seguinte ninguém morreu." - José Saramago, Intermitências da Morte


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Adultos, aprendam com as crianças: leiam mais!



Esta animação - que eu encontrei no Bibliotequices - me fez pensar em tantos casos em que as crianças se interessam pela leitura, mas o adulto, por outro lado, lê muito menos. Esse, aliás, é o caso do Brasil: pesquisas mostram que jovens e crianças lêem mais que adultos.

Portanto, crianças, chamem seus pais à leitura!

Mia Couto no cinema

Dia 18 de março começam as filmagens da adaptação ao cinema de "O último voo do flamingo", romance do escritor moçambicano Mia Couto. O responsável pela difícil tarefa de adaptar a obra do autor para as telas, João Ribeiro, diz que algumas peculiaridades da linguagem poética de Mia Couto são intransponíveis para o formato de filme: "A linguagem de Mia Couto é muito particular, muito poética, muito rica e, portanto, há esse lado, que não é transponível para o cinema". No entanto, "a efabulação do livro está muito próxima de toda a narrativa das personagens".

O filme "O último voo do flamingo" será uma coprodução de Espanha, Brasil, Moçambique e França. Inclusive, as escolha dos atores estão sendo realizadas tanto em Moçambique quanto no Brasil, em Portugal e em Angola.

Mais informações no Público. Via Mundo Pessoa.


Para quem ainda não conhece, leia o primeiro parágrafo de "O último voo do flamingo":

"Nu e cru, eis o facto: apareceu um pénis decepado, em plena Estrada Nacional, à entrada da vila de Tizangara. Era um sexo avulso e avultado. Os habitantes relampejaram-se em face do achado. Vieram todos, de todo lado. Uma roda de gente se engordou em redor da coisa. Também eu me cheguei, parado nas fileiras mais traseiras, mais posto que exposto. Avisado estou: atrás é onde melhor se vê e menos se é visto. Certo é o ditado: se a agulha cai no poço muitos espreitam, mas poucos descem a buscá-la."
Eu fico pensando: imagina uma cena dessa no cinema...

Lobo Antunes pretende parar de publicar


Em entrevista para o Diário de Notícias, António Lobo Antunes anunciou que, depois do próximo livro, não publicará mais. E ele não se refere apenas a romances, mas a todos seus trabalhos escritos: "Vou publicar este livro que acabei agora e escrever um último livro para arredondar a obra. Essa é a minha ideia. Depois, nessa altura, quando sair esse livro que arredonda, que eu penso que me levará dois anos de trabalho - se conseguisse começá-lo este ano -, acabam os romances, acabam as crónicas, acaba tudo e não publico mais nada. A minha voz falada ou escrita já não se ouvirá mais."

O objetivo da entrevista era conversar sobre o novo livro do autor português, "Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?". No entanto, logo em resposta à primeira pergunta, Lobo Antunes desviou o foco e falou de sua intenção de largar a escrita.

"... Mais dois anos e calo-me. Calo-me de vez, já chega. Só queria deixar a obra redonda."

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Meus hábitos de leitor

Alessandro Martins, do Livros e Afins, publicou seus hábitos de leitor. Por gostar da ideia, André Gazola, do Lendo.org, fez o mesmo.
Resolvi, então, escrever aqui também os meus hábitos de leitor:

* Sinto um enorme prazer em terminar um livro, por isso tento chegar ao final da maioria que leio
* Gosto de emprestar livros e inclusive incentivo os amigos a dar uma olhada em minha estante para escolher algum
* Detesto quando não me devolvem os livros que empresto
* Minha biblioteca é arrumada de forma a não seguir nenhum padrão lógico
* Algumas vezes leio vários livros ao mesmo tempo, mas sem querer acabo esquecendo de terminar algum deles
* Não costumo doar livros. Tenho a mania de colecioná-los
* Compro muitos livros - e muitas vezes compulsivamente
* Gosto do cheiro de livros novos - eu sei, isso é estranho, mas eu cheiro livros
* Detesto ler em locais barulhentos. Meu quarto é o melhor lugar.
* Não lembro a última vez que li um livro infantil
* Raramente leio jornais, mas adoro revistas. Assino Carta Capital
* Não trocaria os livros que tenho por um e-reader
* Nunca leio em voz alta e não suporto quando alguém do meu lado faz isso
* Às vezes me perco, acabo lendo trechos que já li e descubro detalhes não percebidos anteriormente
* A única biblioteca que entro é a da universidade onde estudo
* Detesto quando me contam um final de livro. Pior ainda é quando fazem questão de contar não apenas o desfecho, mas a história inteira em resumo
* Gosto de escrever sobre os livros que leio
* Sempre tenho vontade de marcar e escrever nos livros, mas fico logo com pena e no máximo dou uma dobradinha na página para achar o que queria depois
* Costumo ler as "orelhas" do livro, assim como a contracapa. Infelizmente, às vezes descubro coisas que não queria saber antes de ler o livro inteiro
* Quando estava no colégio, raramente lia os livros obrigados
* Tenho vários marcadores e sempre acho mais algum perdido dentro de algum livro
* Adoro passear por livrarias, mesmo que não vá comprar nada
* Adoro descobrir um livro na livraria do shopping mais caro do que acabei de comprar pela internet
* Não resisto a "toda a seção de livros com frete grátis"
* Gostaria de ter muito mais tempo para ler


Publique também seus hábitos de leitor! Avise-me e colocarei o link aqui.

(Não tem blog? Escreva na parte de comentários)

Quem já publicou seus hábitos de leitor(a):
Tecnoclasta
Sônia (A Letreira)
Lilian (Stephanie Plum-Brasil)
Dois Espressos
Caminhante Diurno
Daniela Valverde (1 day stand)
Thiago Bomfim (Livraria do Thiago)
Mariana Sanchez (Orelha do Livro)
Andy (Kebrando a rotina)
Jacqueline Lafloufa (Pensamenteando)
Anderson Roberto (Vinhos & Venenos)
Nina Ferreira (Across the universe)
Brenda Michelle (Addicted and available)
P.s: Tu sais je vais t'aimer)
Sakura Katana (Cerejuda)
Lyani (Entre Aspas)
Belladonna Tuk
Lu (Idéias Largadas)
Paula Janay (Platão é um Filho da Puta)
Marcio Luiz (Café e Música)
Nelida Capela (Lector in Fabula)
Amábile (Mãe de Dois)
Val (Cantinho da Val)
Hazel (Casa Claridade)
Suely (Ufa! Bloguei!)
Daniel Grubba (Soli Deo Gloria)
Ricardo Chicuta (As Aventuras de Chicuta e Rebelo)
Cynthia (The Jane Austen Book Club)
Jorge Leberg (A Escrivaninha do Psicótico) (Insana Lucidez)
Olga Mello (Estantes Cariocas)
Pablo Vilela (Cadê o Revisor?)

Iluminando sua leitura

Ótimo para ambientes públicos com pouca iluminação ou, melhor, para não incomodar o colega de quarto dormindo ao lado.

Se pudesse comprá-lo, usaria para ler antes de dormir. Seria muito bom deixar a luz já apagada e, ao terminar a leitura, apenas colocar o livro e o "iluminador" ao lado, sem precisar levantar.

Via Horas Serenas.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Benjamin Button: diferenças entre filme e conto

É evidente a grande diferença entre o conto "O Curioso Caso de Benjamin Button" e a adaptação cinematográfica homônima. A versão em quadrinhos, por exemplo, baseia-se muito mais na história original do que o filme.

Pensando tanto na versão para os cinemas quanto no texto de F. Scott Fitzgerald, Vinicius, do Molho Vinagrete, fez uma interessante comparação, enumerando grande parte das diferenças:

- O ano de nascimento de Benjamin passa de 1860 para 1917;
- O pai de Benjamin passa a ser Thomas Button, em vez do Roger Button do conto;
- A família Button reside, no conto, em Baltimore, mais ao sudeste dos EUA, e Benjamin nasce no Maryland Private Hospital, enquanto no filme tudo pula para New Orleans, bem mais ao sul;
- Benjamin nasce um velho cabeludo e barbudo e de tamanho adulto, no conto - por mais que seja deveras bizarro o nascimento de alguém desse tamanho. No filme, é um bebê-velho que parece ter saído do Exorcista;
- O humor irônico do velho Benjamin, as compras de roupas infantis para o velho e as conversas amigáveis com o avô não existem no filme;
- No conto, Benjamin é criado pelo pai - a contragosto - e não existe nenhuma Queenie e nem sessões de exorcismo;
- A fábrica de botões original leva o nome do pai de Benjamin: Roger Button's. No filme ela vira Button's Button;
- O amor impossível, sentimentalista e trágico do cinema só existe mesmo no filme, assim como a personagem Daisy. No conto, o grande amor da vida de Benjamin é Hildegard Moncrief, e a história acontece de um modo realmente diferente, já que Benjamin só conhece a moça quando tem 20 anos (ou seja, a aparência de 50), e depois acaba por abandoná-la, dada a crescente diferença entre suas idades. Benjamin simplesmente se cansa de ter uma esposa cada vez mais
velha e sai para frequentar festas e sair com garotas mais novas - e de fato Hildegarde vai para Nova Iorque, mas os dois nunca mais se vêem;
- No conto também não existe diário ou narração póstuma ou até mesmo uma Daisy - ou Hildegarde - velhinha. A narrativa acompanha simplesmente a trajetória de vida de Benjamin;
- O Benjamin do conto torna-se um herói de guerra, e não um sobrevivente desta;
- Benjamin também não tem uma filha chamada Caroline, mas sim um filho chamado Roscoe Button, que acha que é uma brincadeira de muito mau gosto o fato de o próprio pai ficar rejuvenescendo por aí;
-No conto, a mentalidade de Benjamin acompanha a sua faixa etária, como se tratasse de um "desamadurecimento", e no filme a mudança se dá apenas por fora;
- Por fim, no conto, o Benjamin bebê é criado por uma babá qualquer, e não por Hildegarde, Daisy, ou seja lá quem for essa.

Para quem se interessou pelo conto, já há uma nova edição de "Seis contos da era do Jazz e outras histórias", publicada pela José Olympio.
Ou, se preferir, leia o conto original, em inglês.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

5 passos para escrever um romance

O romance fascina muito. É fácil querer escrevê-lo. O difícil, na verdade, é dar início e fim a essa tarefa. [imagem retirada do Flickr]

Cinco passos para começar a escrever um romance:

1 - A primeira coisa a se pensar: "sou um bom leitor?". Afinal, não há escritor que deteste ler. Até porque o interesse pela escrita surge justamente pelo encantamento com a leitura.

2 - O segundo passo é extremamente óbvio: ter alguma ideia de qual será o tema principal do romance. Fazer um aparato geral, mesmo que seja mentalmente, da história a ser contada. Por exemplo, imaginemos que você iria escrever Ensaio Sobre a Cegueira. O principal da história seria: uma epidemia de cegueira branca. Essa idéia central, claro, deve ser algo pensado como inédito, criativo e interessante.

3 - Ter uma boa biblioteca. Mas não me refiro àquela física, mas a de conhecimento. Imaginar que toda a carga de leitura prévia servirá de base para a produção do romance. Nada de plágio, de forma alguma, mas é importante conhecer os bons autores, para, assim, absorver as boas estruturas narrativas, as boas histórias. E o mais importante, talvez, seja a leitura de livros possivelmente semelhantes à imaginada nova obra. Ou seja, se você pretende escrever um romance policial, leia o máximo possível autores deste estilo.

4- Sabendo do que se trata o futuro romance, é hora da pesquisa. Este pode ser um passo ainda mais importante se o romance se baseará, por exemplo, em algum fato histórico. É absolutamente impossível, digamos, escrever um Viva o Povo Brasileiro sem aprofundar-se em pesquisas sobre a história do Brasil. Vá a bibliotecas, compre livros, estude, estude, estude bastante. E, claro, sempre anote. Cultive um caderno para anotações - ou um arquivo em word no computador - especial para as pesquisas. Mas, de forma alguma, as dê como concluídas. É muito possível que, lá no meio do processo de escrita, você acabe encontrando algum detalhe que necessite de embasamento histórico, geográfico, científico, sociológico...

5 - Este é o momento do planejamento. Não acredite que você irá escrever um romance, seja o tamanho que for, sem esquematizá-lo previamente. Faça tudo, claro, do seu jeito. Mas não deixe de montar o esqueleto do enredo. No decorrer da escrita surgirão novas ideias, que podem ser acrescentadas, ou algumas outras retiradas. De qualquer forma, mantenha seu planejamento em vista, sempre atualizando-o.

Depois dos passos anteriores, chegou a hora de começar a escrever. O que se pode aconselhar neste momento? Paciência. E lembre-se: o trabalho de escritor não é meramente intelectual. É um trabalho, acredite, também braçal. Afinal, as letras não aparecem sozinhas num papel ou numa tela de computador.

Em resumo: Interesse-> Ideia -> Leitura -> Pesquisa -> Planejamento -> Ação

Novo Kindle

O Kindle já tem nova versão e começará a ser vendido ainda esse mês - nos Estados Unidos, claro.
Mas, afinal, será que algum dia o veremos aqui no Brasil?

Principais novidades (via Blogtailors):

- capacidade de armazenamento sete vezes maior do que o antecessor;
- a bateria dura até duas semanas;
- o novo aparelho permite audição de livros, revistas e jornais em voz alta;
- é mais rápido;
- é mais fino;
- preço de 359 dólares, o mesmo do atual;
- começará a ser entregue a partir de 24 de Fevereiro;
- os preços dos livros rondarão os 9,99 dólares
- permite guardar mais de 1500 livros (contra os 200 atuais); recorde-se que a Amazon.com tem disponívéis para venda mais de 230.000 livros destinados ao suporte Kindle;
- os utilizadores também podem fazer o “download” dos principais jornais e revistas de todo o mundo, bem como de mais de 1.200 “blogs”.
- a Amazon estima que, no próximo ano, o Kindle representará 4% das receitas.
- o escritor Stephen King está prestes a lançar um livro, “Ur”, para exclusiva distribuição no Kindle, anunciou a retalhista “online”, citada pela Bloomberg.
- será possível descarregar livros em menos de 60 segundos;
as páginas viram mais depressa nesta versão.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Acordo Ortográfico - texto oficial

Muito se fala em "principais regras do Acordo", "o que muda com o Acordo"... Bem, e o Acordo completo, na íntegra?

A partir de uma indicação do Livros e Afins, descobri um site em que é possível conferir o texto oficial do Acordo Ortográfico. Isso, aquele criado em 1990 e que hoje já começou a ser usado no Brasil. É o UmPortugues.com.

Nele, inclusive, há uma ferramenta muito útil: "Aprenda escrevendo". Você escreve algum pequeno texto e o site indica as palavras que estão "incorretas" de acordo com as novas regras. Além de corrigir, ele explica a mudança de cada "erro" e ainda dá exemplos, colocando, além disso, referências no texto oficial do Acordo. Para testar, clique no "texto de exemplo", e aparecerá este exemplo: "Não agüento o cheiro da geléia de pêra feita no microondas, fico com enjôo".


O futuro dos livros?





É, provavelmente, uma certa provocação. O futuro dos livros seria, realmente, o meio digital?

Trata-se de uma obra do designer Kyle Bean. Via Bibliotecários sem fronteiras.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Publique seu livro sem gastar nada

Essa é a ideia do Clube de Autores, o primeiro site brasileiro a funcionar como um Blurb ou Lulu. (dica de Alessandro Martins, do Livros e Afins)

Eis o funcionamento: o autor envia sua obra pela internet ao Clube de Autores. Se pelo menos um leitor tiver interesse em comprá-lo, uma edição será impressa. Ou seja, é um serviço totalmente sob demanda.

O Clube de Autores é o primeiro site brasileiro que permite a publicação gratuita de livros de forma 100% sob demanda. Em outras palavras, você, autor, pode subir o seu livro, determinar quanto deseja ganhar por venda e disponibilizá-lo na loja sem pagar absolutamente nada por isso.
Uma vez lá, todo e qualquer usuário pode adquiri-lo via comércio eletrônico.
Quando o livro é comprado, o pedido vai diretamente para a gráfica, que imprime um a um, dá o acabamento final e despacha para o comprador – sendo que o autor recebe os direitos autorais após acumular-se um montante mínimo, de R$ 300,00.
Infelizmente, os livros no site têm uma aparência padronizada e o preço de cada exemplar não é animador. No entanto, é um serviço com apenas dois dias de existência; então, ainda há muito a melhorar e crescer.

O diretor da empresa responsável pelo site, Ricardo Almeida, ao comentar no blog Livros e Afins, admite o valor elevado dos livros, mas justifica: "O valor dos livros é, de fato, mais alto do que de um livro médio - afinal, impressão um a um, 100% sob demanda e gratuita para o autor, tem, por si só, custos mais elevados". Além disso, o valor final de cada exemplar depende de quanto o autor pretende ganhar. "Se ele quiser colocar R$ 50,00 de ganho por venda, o livro pode sair por R$ 80,00; se quiser colocar R$ 5,00, pode sair por R$ 35,00; e assim por diante".

Porém, um detalhe é animador: "Os direitos autorais são exclusivos do autor e ele não tem absolutamente nenhuma amarra a nós. Ou seja: na pior das hipóteses, ele terá o seu livro publicado sem custo algum e poderá começar a fazer ou reforçar a sua “marca”, por assim dizer."

Visite o Clube de Autores


Atualização:
Júlio Monteiro me informou por e-mail que as capas customizáveis já estão no ar! Veja o blog do Clube de Autores para mais informações.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Livraria para leitores obsessivos

A imagem acima é de uma campanha publicitária da livraria eslovena Vale Novak. O slogan é: "A livraria para leitores obsessivos".
Este seria, realmente, um leitor mais que compulsivo.

Abaixo, duas variações da mesma campanha:




















Imagens retiradas de Ads of The World. Via Horas Serenas.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Cidade de livros: como foi produzida

Em dezembro do ano passado eu escrevi sobre uma animação (This is Where We Live) produzida para comemorar 25 anos da Fourth Estate, selo editorial britânico, da HarperCollins. Tratava-se de um vídeo simulando uma cidade - no caso, Londres - feita de livros.

No blog Bibliotequices, encontrei dois vídeos mostrando a produção da tal cidade em miniatura. Podemos perceber que tudo foi feito trabalhosamente, fotografando cada trecho e depois unindo em animação. O resultado é espetacular. Veja abaixo:
(caso não consiga exibir os vídeos, ou preferir vê-los em tamanho maior, acesse os links)


Construção do cenário - London Set Build Timelapse


Fotografando - Gravação de cena de Londres - Timelapse


Resultado - This Is Where We Live

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Barack Obama lendo para crianças

Foto:Getty/AP

O novo presidente dos Estados Unidos, junto com sua mulher, Michelle, fez uma visita surpresa a crianças de uma escola pública de Washington. O objetivo? Ler.

Barack Obama leu para um grupo de estudantes o livro infantil "The Moon over Star", contando uma história que envolve a missão Apollo 11, responsável pelo primeiro pouso de astronautas em solo lunar.

Aparentemente, leitura para crianças é algo comum entre presidentes estadunidenses. George Bush, por exemplo, lia um livro infantil para crianças quando aconteceu o atentado de 11 de setembro.



Via Book Patrol.

Uma estante em triângulo reto

Design ao mesmo tempo simples e exótico. É difícil definir.

Via Bookshelf.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Provável quadrilha vende manuscritos falsificados de Jorge Luis Borges

A Interpol está investigando uma provável rede de roubo e falsificação de textos manuscritos de Jorge Luis Borges. É o que revelou María Kodama, a viúva do escritor argentino, durante uma apresentação, no México, do livro "In Memoriam Jorge Luis Borges", escrito por Rafael Olea.

A investigação teria iniciado por conta do chamado de uma universidade japonesa à ex-mulher de Borges. A instituição adquiriu um manuscrito como sendo do argentino falecido em 1986, mas depois percebeu ser de autenticidade duvidosa. A viúva, como é detentora dos direitos das obras do escritor, deve ir até o Japão para averiguar a originalidade dos documentos.

Leia mais no Público. Via Blogtailors.

Vísceras Literárias - Literatura para o bom leitor

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