quarta-feira, 2 de junho de 2010

Entrevista com Heloisa Prieto

Entrevista completa que fiz com a escritora Heloisa Prieto, publicada na Revista Muito, do grupo A Tarde.


Após começar a carreia como professora, contando fábulas a crianças, a paulista Heloisa Prieto escreveu cerca de 40 livros infantis. Criada ouvindo histórias, a escritora demonsra como a tradição oral marca a literatura para crianças e adultos.

Como surgiu a vontade de escrever para crianças?

Comecei a escrever para crianças quando era professora dos pequeninos (3 - 4 anos) na Escola da Vila. Eu adorava inventar histórias na roda de novidades e assim foram surgindo narrativas. 



Dá certo misturar literatura e pesquisa? Como você concilia as duas coisas?

Tenho 3 vertentes criativas: as histórias da memória do mundo, lendas e contos folclóricos universais que são frutos de uma pesquisa constante. Histórias da família, aventuras dos Braz de oliveira (lado materno/baiano) e dos Prieto (lado paterno/espanhol), finalmente, há as aventuras criadas a partir da observação da vida de jovens e adolescentes. Creio que toda criação nasce de uma pesquisa, às vezes ela consiste num olhar atento da realidade, outras, no olhar profundo da própria alma. Nada surge do nada. A inspiração é apenas um ponto de partida. Mesmo quando se reconta uma lenda, há um olhar, detalhes incluídos e omitidos que constituem a marca do autor.




Adultos também lêem livros infantis?

Sim, já dei vários autógrafos para pessoas que nem sequer têm filhos. Os contos infantis incluem as fábulas do mundo. Há pessoas que amam as fábulas não importa a idade, aliás, na origem, essas mesmas narrativas faziam parte da tradição oral e, portanto, não estavam restritas às crianças apenas.



É mais fácil fazer literatura infantil?

A facilidade de escrever varia de autor a autor. Criar um denso direto, impactante, que, ao mesmo tempo tenha a capacidade de transmitir múltiplas mensagens é um trabalho poético. Eu diria que a literatura infantil é a prima mais próxima da poesia. Aliás, crianças são ótimas leitoras de poesia, decoram versos e os repetem como se fossem encantamentos.



Qual a importância da literatura oral em sua vida? E para a educação infantil?

Fui criada na área rural e até hoje adoro ouvir histórias. Creio que na educação infantil é muito importante ensinar a ouvir. O bom artista é aquele que ouve os ruídos da alma do mundo e os transmite ao leitor, ampliando sua sensibilidade, seja qual for a idade.



O que você prefere, ouvir ou contar histórias?

Ambos, quando alguém termina uma narrativa, logo sentimos vontade de narrar a nossa e por aí vai. A literatura oral é circular.


Se você fosse uma criança, qual história gostaria de escutar?

Quando criança eu amava as histórias de assombração e ainda me divirto muito sentindo medo delas.


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 Se quiser conhecer um pouco da escrita de Heloisa Prieto, leia um trecho do livro Esconderijo.

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