Ler em público
(Foto retirada do Flickr de Señor Hans)Qual sua maior fantasia?
- Ler em local público - diria um tarado por livros.
Mentira. Diria qualquer um que observasse um pouco as pessoas na rua. Tem gente que lê em ônibus, metrô, outros em parques, praia e até - ó, pasmem-se - em bibliotecas. Enfim, ler em público não é nada constrangedor. Ou seria?
Ao menos, é diferente de ler em casa, deitado na sua cama ou na poltrona preferida, ou, no caso de alguns baianos, numa rede pendurada na varanda ou no quintal - e eu me incluo nesses, por sinal. Não há a mesma tranquilidade, talvez, que uma leitura dentro do próprio lar. Aliás, a palavra certa seria comodidade. Não é preciso prestar atenção à postura, à roupa ou aos comportamentos. Em casa, podemos ler deitados no chão, com as pernas para o ar e usar aquela camisa velha da Copa de 98.
Mas, afinal, por que as pessoas lêem em público?
Certo, entende-se fácil quando se está esperando por algo ou alguém. Pega-se um livro como distração. Quanto maior a espera, maior o livro - meu dentista que o diga.
Há, porém, aqueles que simplesmente saem de casa para ler. Claro, às vezes gostamos de um ar externo para leitura, poder ver algum tipo de movimento enquanto lê, fazer alguma pausa para observar as pessoas. Um banco de um parque, inclusive, é um ambiente ótimo; ou até num café, quando há poucas pessoas.
Outros, ainda, gostam apenas de sair para exibir sua leitura. Como? Explico. Numa certa noite, estava num bar com uns amigos (atendimento péssimo, por sinal, mas é curioso observar o cardápio com pratos que usam nomes de títulos de romances). Muito barulho, claro. Na mesa ao lado, enquanto umas outras cinco pessoas conversavam animadamente, uma jovem lê um livro. A todo momento, dá uma pausa na leitura e olha para as pessoas em volta, mas nunca para para conversar com os amigos da própria mesa. Existem pessoas estranhas.
- Essa é toda exibida - diria o tarado por livros.
Bem, existem lugares mais comuns, como uma biblioteca ou livraria. Apesar da primeira ser bem mais propícia para uma leitura, às vezes arrisco a segunda opção. Evidentemente, as grandes livrarias fazem de tudo para não criar um ambiente muito agradável à leitura, afinal, o objetivo é fazer você ler um trecho e comprar o livro. Hoje, passava por uma dessas "megastore". Entrei e vi O Seminarista, novo livro de Rubem Fonseca - e o primeiro publicado após sua mudança da Companhia das Letras para a Agir. Peguei e rodei o ambiente à procura de uma poltrona vaga. Tive sorte e achei. Apesar de uma caixa de som bem em cima de minha cabeça, um terminal de consulta bem ao lado e uma pessoa que lia Crespúsculo bem na minha frente, tais pertubações não conseguiram tirar tanto minha atenção.
Desculpe-me, Rubem Fonseca. Li o livro todinho ali, na frente de todos, sem nem pensar em comprá-lo. Sem nenhum pudor, nenhuma vergonha.
Mas desafio a alguém fazer o mesmo com a História do Olho, de Bataille.
- Ai eu tenho vergonha - diria o tarado por livros.
- Ler em local público - diria um tarado por livros.
Mentira. Diria qualquer um que observasse um pouco as pessoas na rua. Tem gente que lê em ônibus, metrô, outros em parques, praia e até - ó, pasmem-se - em bibliotecas. Enfim, ler em público não é nada constrangedor. Ou seria?
Ao menos, é diferente de ler em casa, deitado na sua cama ou na poltrona preferida, ou, no caso de alguns baianos, numa rede pendurada na varanda ou no quintal - e eu me incluo nesses, por sinal. Não há a mesma tranquilidade, talvez, que uma leitura dentro do próprio lar. Aliás, a palavra certa seria comodidade. Não é preciso prestar atenção à postura, à roupa ou aos comportamentos. Em casa, podemos ler deitados no chão, com as pernas para o ar e usar aquela camisa velha da Copa de 98.
Mas, afinal, por que as pessoas lêem em público?
Certo, entende-se fácil quando se está esperando por algo ou alguém. Pega-se um livro como distração. Quanto maior a espera, maior o livro - meu dentista que o diga.
Há, porém, aqueles que simplesmente saem de casa para ler. Claro, às vezes gostamos de um ar externo para leitura, poder ver algum tipo de movimento enquanto lê, fazer alguma pausa para observar as pessoas. Um banco de um parque, inclusive, é um ambiente ótimo; ou até num café, quando há poucas pessoas.
Outros, ainda, gostam apenas de sair para exibir sua leitura. Como? Explico. Numa certa noite, estava num bar com uns amigos (atendimento péssimo, por sinal, mas é curioso observar o cardápio com pratos que usam nomes de títulos de romances). Muito barulho, claro. Na mesa ao lado, enquanto umas outras cinco pessoas conversavam animadamente, uma jovem lê um livro. A todo momento, dá uma pausa na leitura e olha para as pessoas em volta, mas nunca para para conversar com os amigos da própria mesa. Existem pessoas estranhas.
- Essa é toda exibida - diria o tarado por livros.
Bem, existem lugares mais comuns, como uma biblioteca ou livraria. Apesar da primeira ser bem mais propícia para uma leitura, às vezes arrisco a segunda opção. Evidentemente, as grandes livrarias fazem de tudo para não criar um ambiente muito agradável à leitura, afinal, o objetivo é fazer você ler um trecho e comprar o livro. Hoje, passava por uma dessas "megastore". Entrei e vi O Seminarista, novo livro de Rubem Fonseca - e o primeiro publicado após sua mudança da Companhia das Letras para a Agir. Peguei e rodei o ambiente à procura de uma poltrona vaga. Tive sorte e achei. Apesar de uma caixa de som bem em cima de minha cabeça, um terminal de consulta bem ao lado e uma pessoa que lia Crespúsculo bem na minha frente, tais pertubações não conseguiram tirar tanto minha atenção.
Desculpe-me, Rubem Fonseca. Li o livro todinho ali, na frente de todos, sem nem pensar em comprá-lo. Sem nenhum pudor, nenhuma vergonha.
Mas desafio a alguém fazer o mesmo com a História do Olho, de Bataille.
- Ai eu tenho vergonha - diria o tarado por livros.








