Blogueira e tradutora, Denise Bottmann, do blog Não gosto de plágio, enfrenta um processo por supostas calúnias contra a editora Landmark. Segundo e-mail enviado a Alessandro Martins pela blogueira, a editora pretendia a retirada do blog "antes mesmo de julgar o mérito das alegações sobre as pretensas calúnias". Felizmente o juiz não atendeu ao pedido surreal.
Parece, na verdade, algo acontecendo de forma inversa. Ao invés de a justiça investigar a denúncia de que tal editora plagia traduções, quem denuncia é a pessoa a sofrer processos.
Veja o que diz Denise em seu blog:
numa ação movida pela editora landmark e pelo sr. fábio cyrino, estou
sendo processada por pretensas calúnias contra os reclamantes, por ter
publicado no nãogostodeplágio provas mostrando a prática de plágio nas
traduções de persuasão, de jane austen, e o morro dos
ventos uivantes, de emily brontë, ambas publicadas pela referida
editora em 2007.
além de vultosa indenização por pretensos danos morais e materiais, os
reclamantes solicitaram:
- "publicidade restrita", isto é, que o processo corresse em sigilo de
justiça,
- a remoção do blog nãogostodeplágio da internet, invocando o "direito
de esquecimento",
- "antecipação dos efeitos da tutela de mérito", isto é, que a justiça
determinasse a remoção imediata do blog antes da avaliação do mérito da
ação impetrada.
Eis as postagens que provavelmente motivaram o processo:
-
Landmarkismo, estágio superior do plagiarismo?
-
Landmark pegou gosto pela coisa
-
Retificação
-
Faits-divers
Além dela, a editora processou a blogueira Raquel Sallaberry, do blog
Jane Austen.
Ao mesmo tempo,ocorreu-me uma outra notícia:
Censura na Bahia ao twitter do governado. Alega-se uma campanha eleitoral antes da hora para, assim, tentar cancelar judicialmente a conta de twitter do governador Jacques Wagner. Nesse mesmo artigo, André Lemos, pesquisador em cibercultura e professor da UFBA, diz o seguinte:
Devemos entender essas ferramentas como instrumentos conversacionais, não massivos e como tais devem permanecer livres. O problema é que ainda se pensa nas ferramentas pós-massivas, como blogs ou twitter, como mídias de massa, instrumentos de comunicação por concessão pública e controlados por grande empresas donas desse mesmo conteúdo (...)
Sim, os blogs e o twitter devem permanecer livres.